Enovação

A pedido de alguns colegas, após meu post sobre a palestra que fiz recentemente no Interop Day em Porto Alegre, esclarecerei o que “Enovação” significava, em meu ponto de vista.

Primeiramente, peço desculpas aos professores da lingua portuguesa, pois esta palavra não existe em nosso dicionário e não obedece às regras de radicais e sufixos. Tendo dito isso, já deixo claro que Enovação nada tem que ver com vinho, ok? Como o termo em inglês também não existe, eu o traduzo como DEnnovation (explicarei o motivo mais abaixo).

Ao estudar e experimentar nos últimos dois anos o que inovação significa, cheguei à conclusão que faltava algo, especialmente pela sua relevância para o crescimento das economias globais, teorizado hà muitos anos pelo economista Joseph Schumpeter.

O termo inovação é muito abrangente e não achava justo classificar algumas empresas na mesma categoria que outras, mesmo sabendo que há distinção entre inovação incremental e disruptiva. Adicionalmente, eu também buscava a resposta do motivo pelo qual empresas inovadoras e estabelecidas estarem em dificuldades financeiras ou até já terem saído do mercado.

Estudando diversas definições da palavra inovação, escolhi como minha favorita a versão simplificada, cunhada pelo professor de Stanford, Robert Sutton: inovação é o resultado da criatividade somada à implementação. Há outros autores que especificam um pouco mais o que significa inovação, acrescentando à fórmula do professor Robert, a aceitação do público, o que realmente acho importante, embora entenda que isso está implícito na implementação.

Sendo assim, a definição de inovação seria algo como: o processo que transforma uma ideia criativa em algo valorizado e amplamente aceito. Simples assim.

E aqui é onde reside minha inquietação. Se tomarmos por base esta definição, basicamente estamos colocando empresas como Apple, Coca-Cola, Disney, Lego, Ferrari, Facebook, Starbucks e Google no mesmo cesto que Samsung, Hyundai, My Space, Yahoo, Lenovo, Café do Ponto, Ambev entre outras. Afinal, todas essas empresas praticam ou praticaram a inovação incremental ou disruptiva em seus produtos ou serviços, processos, modelos de negócio etc.

Decidi portanto, pesquisar se havia algo que poderia demonstrar claramente uma característica que diferenciasse esses dois grupos. Basicamente, minha hipótese consiste em afirmar que as empresas mais duráveis e sustentáveis, economicamente falando, são as inovadoras que encantam seus clientes.

Para chegar à essa conclusão, comparei e analisei os mais distintos rankings de empresas globais para identificar padrões entre as empresas mais inovadoras, admiradas, melhores, maiores e mais rentáveis e se elas se sustentavam nos rankings ano após ano.

Embora ainda não tenha finalizado minha pesquisa, já consigo inferir que a grande diferença entre os dois grupos de empresas supracitados está relacionada com a experiência única que algumas delas proporcionam para seus clientes, os encantando ao ponto dos mesmos desejarem voltar e voltar e voltar.

É por isso que cunhei o termo “Enovação” ou DEnnovation (em inglês). O E significa “Encantamento” (DElight em inglês). Sendo assim, de forma simplificada, defino Enovação como o processo que transforma uma ideia criativa em algo valorizado, amplamente aceito e encantador.

Um grande abraço.

Roberto Coelho Jr.

 

Imagine, crie e inove

Em um mundo de constantes mudanças e acirramento da competição, fazer o melhor já não é mais o suficiente. É imperativo fazermos diferente. O livro “A Estratégia do Oceano azul” (Chan Kin, W. and Mauborgne, Renée, 2005) teoriza e exemplifica claramente a importância de evitarmos navegar num oceano vermelho, onde há uma batalha frenética, competitiva e sangrenta. Para isso, se diferenciar é o segredo.

E como podemos nos diferenciar dos concorrentes? As palavras certas para isso são: imaginação, criatividade e inovação.

Alguns países nos tem dado importantes lições acerca destes temas, como a Finlândia, a Coréia do Sul e os Estados Unidos. Basta olhar em sua volta para perceber que você usa algo imaginado, criado e desenvolvido num destes países.

Os passarinhos coloridos e irritados do jogo finlandês Angry Birds da Roxio, os smartphones sul-coreanos da marca Samsung ou mesmo um tablet americano da Apple, são grande exemplos.

A boa notícia é que podemos mudar esse jogo! Sabe por quê? Porque todos podem imaginar, criar e inovar. Isso mesmo! Aquela ideia de que apenas poucos iluminados possuem estas capacidades é um grande mito, de acordo com alguns pesquisadores modernos.

Estes pesquisadores entendem hoje que a imaginação, criatividade e a inovação são características natas, ou seja, que temos dentro de nossos cérebros desde que nascemos. Basta descobrir como usá-las e pronto! Note os exemplos abaixo e diga para si mesmo se você está fazendo sua parte:

Quantas vezes no último mês você mudou o seu relógio de braço? Ou tentou escovar os dentes com sua mão não dominante? Ou mudou a ordem da aplicação dos ingredientes que utiliza durante o banho? Ou utilizou mais do que 4 caminhos e formas diferentes para chegar ao trabalho? Ou leu mais do que um livro ou revista fora de sua área de trabalho ou hobby preferido?