A hélice tripla da inovação está ultrapassada!

Para quem não conhece, a hélice tripla da inovação (triple hélix) foi desenvolvida por Henry Etzkowitz e Loet Leydesdorff e se baseia na perspectiva da Universidade como indutora das relações com as Empresas (setor produtivo de bens e serviços) e o Governo (setor regulador e fomentador da atividade econômica), visando à produção de novos conhecimentos, a inovação tecnológica e ao desenvolvimento econômico. A inovação é compreendida como resultante de um processo complexo e dinâmico de experiências nas relações entre ciência, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento nas universidades, nas empresas e nos governos, em uma espiral de “transições sem fim”.

A figura abaixo resume o que é a hélice tripla da inovação:


Hélice tripla da inovação

Há modelos mais recentes que incluem investidores e os usuários, conforme a figura abaixo:

Hélice tripla da inovação expandida

Na minha visão, esses dois modelos estão totalmente ultrapassados e não refletem a realidade prática.

Ambos os modelos desconsideram dois grupos fundamentais e centrais no modelo, que são os empreendedores e suas Startups, bem como os clientes (usuários que pagam pela inovação).

Segundo um estudo do MIT, 93% da inovação vêm de fora de empresas estabelecidas. É isso mesmo, 93%! E isso têm um motivo: organizações e industrias estabelecidas não correm muitos riscos, algo inerente na inovação. Além disso, bancos privados desejam receber dividendos, o mais rápido possível, ou seja, também não desejam correr muito risco.

Sendo assim, resta para o Governo, Startups e Usuários avançados o privilégio de inovar, pois esses podem correr e assumir mais riscos. Por exemplo, você sabia que grande parte das funcionalidade de um iPhone foram desenvolvidas pelo governo norte-americano? A Apple apenas aprimorou e combinou o que havia sido desenvolvido por orgãos governamentais, como a Darpa (criadora da Internet).

E que tal citarmos o exemplo de algumas Startups de sucesso e que a inovação faz parte de seu DNA: Facebook, WhatsUp, Google, Waze, Instagram, Netflix, Drop Box, entre outras.

Defendo também que empresas estabelecidas passem a considerar a inclusão e implementação do processo de inovação digital em suas corporações, pois caso contrário, continuaremos a ver Startups a acabarem com empresas estabelecidas num piscar de olhos.

Sou a favor de que o Governo, Empresas, Universidades, Investidores, Usuários, Clientes e Startups estejam cada vez mais integrados e unidos pela geração de inovação contínua, investindo especialmente em educação e empreendedorismo, pois essa é uma excelente forma de criarmos novos mercados, gerarmos mais riqueza, distribuirmos a renda de forma mais justa, sem precisarmos de programas puramente sociais não efetivos e permitirá descobrirmos maneiras de sobreviveremos no longo prazo, combatendo a falta de água, comida e condições para nossos filhos e netos viverem.

Roberto Coelho Jr.

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